Potencial de Trindade vai muito além da fé

Mesmo com turismo religioso afetado pela pandemia, cidade continua com expansão imobiliária e crescimento populacional

Portal da entrada de Trindade, um dos símbolos do município goiano Marilze Venturelli Bernardes

Portal da entrada de Trindade, um dos símbolos do município goiano Marilze Venturelli Bernardes

Antes da pandemia do novo coronavírus, a festa do Divino Pai Eterno costumava atrair, em média, três milhões de visitantes à Trindade, entre os meses de junho e julho. A cidade, que se formou e cresceu em torno da fé, viu uma de suas principais vocações ser afetada diretamente pelo isolamento social e o cancelamento de grandes eventos. No entanto, o município continua firme e forte em outras áreas, principalmente no desenvolvimento da indústria e na expansão imobiliária.

Não por acaso, a cidade é uma das que apresenta maior crescimento populacional em Goiás. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a cidade passou de 104.488 habitantes em 2010 para 129.823 habitantes em 2020, o que representa um aumento de 24,2%. No mesmo período, a taxa de crescimento populacional do Estado de Goiás foi de 15,5%. Trindade é, atualmente, a terceira maior cidade da região metropolitana, atrás de Goiânia (1 milhão e 500 mil habitantes) e Aparecida de Goiânia (590 mil habitantes).

O secretário de Indústria e Comércio do município, Gustavo Luiz de Queiróz, destaca que, apesar do enfraquecimento temporário do turismo religioso, que só deve retornar com força total após a imunização de parcela considerável da população, Trindade continua se destacando em diversos setores, com ênfase para o mercado imobiliário e a construção de residenciais e bairros planejados.

"As raízes de Trindade estão na fé e na devoção ao Divino Pai Eterno. Estamos otimistas que, em breve, poderemos fazer a retomada do turismo religioso. Apesar disso, Trindade é uma cidade que está em pleno crescimento. A expansão imobiliária é muito forte, com construtoras lançando condomínios, loteamentos, residenciais e complexos de lazer. São investimentos na ordem de milhões de reais, que movimentam muito a economia da cidade", destaca o secretário.

Um dos empreendimentos de destaque na cidade é o loteamento planejado Jardim Alta Vista, localizado entre as GO-060 e GO-070. Com 466 mil metros quadrados, o empreendimento tem capacidade instalada para receber mais de 3.200 mil moradores nos seus 800 lotes, com tamanhos a partir de 250 metros quadrados. Gustavo Queiróz ressalta que todos os lançamentos imobiliários na cidade seguem os requisitos básicos de um bairro planejado, com luz elétrica, saneamento, asfalto e ponto de ônibus, entre outros.

"O crescimento populacional, quando desordeiro, pode desencadear sérios problemas em qualquer cidade. Então, temos uma série de requisitos a serem cumpridos para aprovar e licenciar novos empreendimentos. As novas construções devem ser feitas com rigor técnico, para que o crescimento da cidade seja organizado", avalia o secretário.

No caso do Jardim Alta Vista, a primeira fase de construção da infraestrutura, que já está em andamento, abrange todo projeto de drenagem subterrâneo de águas pluviais. Em seguida, as obras continuarão com a implantação da rede de distribuição de água tratada e a rede elétrica com iluminação pública e por fim, a pavimentação das ruas do loteamento.

O secretário de Indústria e Comércio destaca que o crescimento imobiliário vem acompanhado de novos negócios e atividades na economia local. A cidade está ampliando a criação de polos tecnológicos e parques industriais, além de continuar os investimentos em áreas como agropecuária, agricultura familiar, confecção e gastronomia.

A economia goiana, puxada principalmente pela indústria e construção civil, conseguiu atravessar as turbulências provocadas pela pandemia em 2020 de forma bastante positiva. De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), órgão do Ministério da Economia, a indústria liderou a geração de empregos no Estado no ano passado, com saldo de 11.258 postos de trabalho no acumulado de janeiro a novembro, e a construção civil apareceu logo em seguida, com 9.190 vagas criadas neste período.

"A iniciativa privada ocupa um importante papel em todo este contexto. O poder público precisa andar de mãos dadas com a iniciativa privada, então adotamos políticas públicas de parceria e apoio, para atrair investimentos. Quando isso acontece, quem ganha é a comunidade, com a geração de emprego, renda, e o fomento do turismo", afirma Queiróz.