População quilombola do Tocantins: Dados do Censo 2022 reforçam políticas públicas estaduais

Governo do Tocantins criou Secretaria dos Povos Originários e Tradicionais para inclusão e valorização dessas comunidades.

Foto: Governo do Tocantins

Foto: Governo do Tocantins

Os dados recentemente divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam uma importante faceta da diversidade da população tocantinense: mais de 12 mil pessoas se autodeclararam quilombolas no estado, de acordo com o Censo 2022. Esse marco histórico reflete o esforço do Governo do Tocantins em promover a inclusão e valorização dessas comunidades, por meio da recém-criada Secretaria dos Povos Originários e Tradicionais (Sepot).

A diretora de Proteção aos Quilombolas da Sepot, Ana Mumbuca, ressalta a relevância desses dados para a formulação de políticas públicas que atendam às necessidades específicas dos quilombolas no Tocantins. Pela primeira vez, integrantes dessas comunidades foram recenseados pelo Censo, proporcionando um panorama oficial e preciso para embasar as ações governamentais.

No Brasil como um todo, o censo contabilizou 1.327.802 pessoas autodeclaradas quilombolas, sendo 12.881 no Tocantins. Esse contingente representa 0,85% da população total do estado, que é de 1.511.459 habitantes. Dentre os quilombolas do Tocantins, 10,31% (1.328 pessoas) vivem em territórios oficialmente delimitados, enquanto 89,69% (11.553 pessoas) residem fora de suas áreas tradicionais.

Mateiros, município localizado na região do Jalapão, é o que possui a maior proporção de quilombolas, com 43,3% dos seus 2.748 habitantes se autodeclarando como tal, totalizando 1.190 pessoas. Em outras cidades, como Arraias, Chapada da Natividade, Brejinho de Nazaré, Natividade, Muricilândia, Aragominas, Paranã, São Félix do Tocantins e Santa Fé do Araguaia, também há significativos números de quilombolas.

Para a diretora da Sepot, a oficialização dos dados do Censo representa o reconhecimento da existência das comunidades quilombolas pelo estado brasileiro. Ela destaca a importância histórica da revelação, visto que esses povos não eram mapeados desde o primeiro Censo do Brasil, realizado em 1800. Esse novo marco simboliza o reconhecimento étnico oficial do país para essas comunidades e reforça sua identidade e lugar na sociedade.

A Secretaria dos Povos Originários e Tradicionais está comprometida em fortalecer sua estrutura e parcerias com outras secretarias e instituições. Seu planejamento institucional será construído a partir de diálogos com membros dos grupos originários e tradicionais, visando atender às demandas prioritárias, como a regularização fundiária e a garantia de acesso ao saneamento básico.