Opinião Direitos Humanos

Maioria dos policiais mortos no Rio de forma violenta estava de folga

Dados são de estudo do ISP feito entre 2016 e 2020

Por Agência Brasil

22/09/2021 às 11:22:26 - Atualizado h√°

A maioria dos policiais mortos de forma violenta no estado do Rio de Janeiro, entre 2016 e 2020, estava de folga. No total, em todo o estado, 506 policiais foram mortos, sendo 148 em serviço, entre eles, 133 militares e 15 civis; e 358 em folga, dos quais 331 eram militares e 27 civis.

Os dados fazem parte do estudo Vitimização policial no estado do Rio de Janeiro: panorama dos últimos cinco anos (2016-2020), produzido pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) do Rio de Janeiro e que faz parte da série Textos para discussão, divulgada este m√™s.

O levantamento mostra ainda que cerca de um terço das mortes de policiais ocorreu em até 500 metros de uma √°rea sob foco especial, que são uma combinação dos aglomerados subnormais indicados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e das √°reas de comunidade informadas pelo Instituto Pereira Passos (IPP). Conforme o IBGE, os aglomerados subnormais são "uma forma de ocupação irregular de terrenos de propriedade alheia, públicos ou privados, para fins de habitação em √°reas urbanas e, em geral, caracterizados por um padrão urbanístico irregular, car√™ncia de serviços públicos essenciais e localização em √°reas com restrição à ocupação".

Em serviço

Dentre as mortes de agentes em serviço causadas por letalidade violenta, 74,1% ocorreram dentro de √°reas sob foco especial ou em até 500 metros de distância delas. Também nas mortes em serviço, 56,9% foram próximas umas das outras, com no m√°ximo 100 metros de distância.

Menor da série

Apesar desses resultados, o número de policiais mortos em 2020 foi o menor de toda a série histórica, que começou em 1998. No total, foram 65 policiais civis e militares mortos em serviço ou em folga.

De acordo com o ISP, a partir de informações das secretarias de Estado de Polícia Civil e de Polícia Militar, os pesquisadores observaram também que "a maior parte das mortes aconteceu na capital, entre 18h e 0h, e 76,1% do total dos policiais mortos estavam lotados em unidades operacionais". Na an√°lise do motivo das mortes, notaram que 71,9% foram provocadas por "letalidade violenta", como homicídios, encontro de cad√°ver, lesão corporal provocada por projétil de arma de fogo e roubo seguido de morte provocado por projétil de arma de fogo. O percentual corresponde a 254 mortes cometidas por projétil de arma de fogo.

O estudo mostrou um dado que chamou a atenção. Em cada 10 vítimas de latrocínio no estado, uma era policial. Além disso, em cinco anos, 35 policiais tiraram suas próprias vidas. Entre eles, 31 estavam em folga e quatro em serviço.

A diretora-presidente do ISP Marcela Ortiz disse que o objetivo do levantamento é compreender a vitimização policial e ainda oferecer dados e an√°lises que ajudem o governo estadual a desenvolver ações concretas para reduzir essa viol√™ncia. "As instituições policiais e os governos t√™m, cada vez mais, se preocupado com a segurança de seus agentes e trabalhado no sentido de garantir o seu bem estar, não só durante o trabalho, mas também nos momentos de folga", apontou.

Para a diretora-presidente, os dados mostram que h√° um desafio também no que diz respeito à saúde mental dos policiais. "O importante de trazer esses dados para a sociedade é justamente mostrar que, apesar desses agentes do Estado terem o monopólio da viol√™ncia, eles também são vítimas dela e isso precisa ser combatido", completou.

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