Opinião Governador do Rio

Governador do Rio diz que operação foi 'fiel cumprimento de mandados'

Por GG Notícias

08/05/2021 às 12:38:18 - Atualizado hĂĄ

O governador do Rio de Janeiro, ClĂĄudio Castro, defendeu que a operação da PolĂ­cia Civil que terminou com 28 mortos na favela do Jacarezinho, na zona norte da capital, foi "o fiel cumprimento de dezenas de mandados expedidos pela Justiça", após 10 meses de investigação.

Em pronunciamento divulgado ontem (7), Castro afirmou ter determinado transparĂȘncia total ao processo e disse que o governo do estado é o "maior interessado em apurar as circunstâncias dos fatos".

"Antes de mais nada, é preciso deixar claro que a operação de quinta-feira (6) da PolĂ­cia Civil foi o fiel cumprimento de dezenas de mandados expedidos pela Justiça. Foram 10 meses de trabalho de investigação, que revelaram a rotina de terror e humilhação que o trĂĄfico impôs aos moradores".

O nĂșmero de mortos na operação despertou preocupação de órgãos como a seccional Rio de Janeiro da Ordem dos Advogados do Brasil, que apontou a ação como a mais letal da história do estado e pediu investigação rigorosa. JĂĄ a Defensoria PĂșblica do Estado do Rio de Janeiro afirma que a operação descumpriu a decisão do Supremo Tribunal Federal que restringiu a realização desse tipo de ação em comunidades do Rio durante a pandemia de Corona VĂ­rus

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O Alto Comissariado da Organização das Nações Unidas (ONU) para Direitos Humanos pediu que uma investigação imparcial seja realizada sobre a operação. "Lembramos às autoridades brasileiras que o uso da força deve ser aplicado somente quando estritamente necessĂĄrio, e que elas devem sempre respeitar os princĂ­pios de legalidade, precaução, necessidade e proporcionalidade", disse o porta-voz do órgão. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) também manifestou preocupação com denĂșncias de uso excessivo da força e ressaltou que o Estado deve proteger integralmente os direitos humanos.

Defensores de direitos humanos questionam a violĂȘncia e a legalidade da operação e realizaram protestos ontem (7) com moradores de favelas e familiares de vĂ­timas de violĂȘncia policial. Em nota conjunta, entidades como a Anistia Internacional no Brasil, a Justiça Global, o Instituto Marielle Franco e o Movimento Negro Unificado afirmam que a PolĂ­cia Civil do Rio de Janeiro realizou um "massacre".

Pronunciamento

Em um vĂ­deo de cerca de dois minutos, o governador afirma que as investigações constataram que crianças eram aliciadas e famĂ­lias eram expulsas de casa por criminosos. O governador destacou que houve confronto entre os suspeitos e os policiais, que foram recebidos com uma "reação brutal".

"A reação dos bandidos foi a mais brutal registrada nos Ășltimos tempos", disse o governador. "Armas de guerra prontas para repelir a ação do Estado e evitar as prisões a qualquer custo. Em nenhum lugar do mundo a polĂ­cia é recebida com fuzis e granadas quando vai cumprir seu papel".

A operação da PolĂ­cia Civil na favela do Jacarezinho ocorreu na Ășltima quinta-feira (6) e, segundo a corporação, terminou com 28 mortes. Uma das vĂ­timas é o policial civil André Leonardo Frias, de 48 anos, e as demais, de acordo com a PolĂ­cia Civil, seriam suspeitos que entraram em confronto com os agentes.

A polĂ­cia nega que pessoas tenham sido executadas pelos agentes durante a operação e afirma que seu objetivo era desarticular uma quadrilha de traficantes que aliciava menores de idade - alguns com apenas 12 anos. Além disso, eles estariam envolvidos em outros crimes, incluindo sequestros de trens que passam pela comunidade.

Em entrevista coletiva realizada no dia da operação, o delegado FabrĂ­cio Oliveira, chefe da Coordenadoria de Recursos Especiais, unidade especial da PolĂ­cia Civil, contou que os confrontos se estenderam por toda a comunidade, e que os criminosos invadiram as casas dos moradores, o que forçou os policiais a entrarem nas residĂȘncias.

ResponsĂĄvel por fiscalizar a legalidade da ação, o Ministério PĂșblico do Estado do Rio de Janeiro emitiu uma nota em que informa que estĂĄ investigando as circunstâncias das mortes ocorridas durante a operação.

"Todas as medidas judiciais e extrajudiciais cabĂ­veis em decorrĂȘncia dos fatos ocorridos estão sendo tomadas pelo MPRJ, que na data de ontem esteve presente na comunidade, acompanhando os desdobramentos da operação. Cabe destacar ainda que o MPRJ acompanha a perĂ­cia nos corpos das pessoas mortas durante a intervenção policial", informou a nota.

O procurador-geral da RepĂșblica, Augusto Aras, informou ontem (7) que pediu informações sobre a operação policial ao governador do Rio de Janeiro, Claudio Castro. Aras também solicitou esclarecimentos ao Ministério PĂșblico do Rio. O prazo para o envio das manifestações é de cinco dias Ășteis.

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