Governo anuncia mudança no formato de meta de inflação para 2025, tornando-a contínua

Nova abordagem trará flexibilidade ao Banco Central na perseguição da meta, segundo ministro da Fazenda

Foto: Fábio Vieira

Foto: Fábio Vieira

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, revelou nesta quinta-feira (29) que o governo brasileiro decidiu alterar o regime de metas de inflação, estabelecendo uma meta contínua de 3% a partir de 2025. Essa medida substitui o formato atual, baseado no ano-calendário, e traz mais flexibilidade para o Banco Central no cumprimento do objetivo. Haddad comunicou a decisão ao Conselho Monetário Nacional (CMN), que se reuniu para discutir o assunto.

A mudança para o formato de meta contínua permitirá que a meta seja definida para um "horizonte relevante", sem estar restrita a um calendário específico. O Banco Central terá a responsabilidade de estabelecer esse horizonte, que provavelmente será de 24 meses, seguindo exemplos de experiências internacionais.

Essa transição traz vantagens ao governo, pois não será mais necessário discutir a meta anualmente. Além disso, oferecerá mais flexibilidade ao Banco Central, permitindo que ele ajuste a trajetória da inflação de acordo com as necessidades da economia. O ministro Haddad ressaltou que, com a nova abordagem, a meta será mantida, mas a trajetória poderá ser redefinida.

No modelo atual, a meta de inflação é definida para o período de janeiro a dezembro de um determinado ano. O objetivo é que a inflação medida em dezembro, acumulada desde o janeiro anterior, esteja dentro da meta estabelecida. No entanto, no formato contínuo, a inflação deve permanecer na meta ao longo de um horizonte de tempo, independentemente de datas específicas.

Fernando Haddad vinha defendendo essa mudança no sistema de metas há algum tempo e levou a discussão ao CMN. O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que um estudo da instituição mostrou que a meta contínua seria mais eficiente, evitando medidas pontuais e permitindo uma alocação de recursos mais eficiente.

Com a decisão do CMN, a meta de inflação para 2025 foi definida em 3%, com uma margem de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. O presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Isaac Sidney, considerou a mudança muito positiva, alinhando o modelo brasileiro às práticas adotadas por outros países desenvolvidos e emergentes.

No regime de metas de inflação atual, caso a inflação ultrapasse o intervalo de tolerância, o presidente do Banco Central deve justificar publicamente as razões do descumprimento por meio de uma carta aberta ao Ministro da Fazenda, que preside o CMN. Ainda não foram divulgados detalhes sobre como funcionará o mecanismo no novo formato, mas Haddad afirmou que o Banco Central continuará prestando contas ao CMN com maior frequência, conforme disciplinado por um decreto presidencial.