Internacional

China e Rússia firmam contratos bilionários para exploração de lítio na Bolívia

Potências globais se unem para explorar maior reserva de lítio do mundo, intensificando a disputa geopolítica na América Latina

Por Redação

30/06/2023 às 14:30:00 - Atualizado há
Foto: Reprodução

China e Rússia estão unindo forças em uma estratégia ousada para dominar a indústria global de lítio. Os dois gigantes fecharam contratos bilionários para explorar a maior reserva do mineral no mundo, localizada na Bolívia, um país sul-americano estrategicamente posicionado. Essa parceria promete desencadear uma nova onda de competição geopolítica na região.

A estatal de energia nuclear russa, Rosatom, e a empresa privada chinesa, Citic Cuoan Group, estão investindo um montante impressionante de US$ 1,4 bilhão (quase R$ 7 bilhões) para impulsionar a produção de carbonato de lítio. A expectativa é alcançar uma produção anual de 100 mil toneladas do insumo a partir de 2025. Não é a primeira vez que a China demonstra interesse na riqueza mineral boliviana. Em janeiro, a fabricante de baterias chinesa CATL já havia fechado um acordo de US$ 1 bilhão (R$ 5 bilhões) para produzir 25 mil toneladas de carbonato de lítio por ano na Bolívia.

Para viabilizar essa empreitada, a estatal boliviana Depósitos de Lítio Boliviano (YLB) atuará em conjunto com os parceiros estrangeiros na exploração, refino, processamento e comercialização dos recursos de lítio.

A disputa pelo lítio na América Latina emerge como a nova fronteira do embate geopolítico entre China e Rússia. O chamado Triângulo do Lítio, composto por Bolívia, Chile e Argentina, abriga impressionantes 61% das reservas mundiais desse valioso mineral, grande parte das quais ainda não exploradas.

Embora a Austrália tenha liderado a produção global de lítio no ano passado, com 47%, é evidente que China (15%) e Chile (30%) não estão dispostos a ficar para trás nessa corrida estratégica. A China, em particular, é responsável por aproximadamente três quartos da produção mundial de baterias de íon-lítio, que impulsionam a indústria de veículos elétricos e são cruciais para o armazenamento de energia em diversos sistemas.

A importância do lítio no contexto da transição energética é inegável. Com a crescente demanda por veículos elétricos e o aumento da necessidade de armazenamento de energia, o lítio se tornou uma matéria-prima essencial. Sua extração e processamento eficientes são fundamentais para impulsionar a sustentabilidade e a inovação tecnológica nos setores de energia renovável e mobilidade elétrica.

À medida que China e Rússia fortalecem sua presença na exploração de lítio na Bolívia, as repercussões geopolíticas se ampliam. Essa colaboração estratégica não apenas garante o suprimento desse recurso estratégico para as indústrias de ambos os países, mas também confirma suas ambições de liderança global na transição para uma economia mais limpa e sustentável.

Enquanto a América Latina se torna o epicentro da disputa pelo lítio, os países da região devem avaliar cuidadosamente as implicações e oportunidades que surgem dessa intensa competição. A gestão responsável dos recursos naturais e a maximização dos benefícios socioeconômicos para suas populações são desafios cruciais que exigem visão estratégica e cooperação regional. Afinal, a exploração do lítio tem o potencial de impulsionar o desenvolvimento sustentável e a prosperidade na América Latina, desde que seja conduzida com responsabilidade e visão de longo prazo.

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