Derretimento de geleira nos Alpes revela corpo de alpinista desaparecido há 37 anos

Segredos do passado emergem das geleiras alpinas enquanto mudanças climáticas aceleram o recuo do gelo

Foto: Polícia da Suíça

Foto: Polícia da Suíça

As geleiras alpinas continuam a surpreender o mundo com suas revelações do passado, e desta vez, foi encontrado o corpo de um alpinista alemão desaparecido há 37 anos. A descoberta ocorreu no início deste mês por alpinistas que cruzavam a geleira Theodul, perto da famosa montanha Matterhorn, na Suíça. O corpo foi identificado por meio de análise de DNA, colocando um ponto final em um mistério que perdurou por quase quatro décadas.

O derretimento das geleiras alpinas, que estão encolhendo rapidamente devido às mudanças climáticas, tem permitido que segredos há muito enterrados ressurjam. A geleira Theodul, integrante da famosa região de esqui de Zermatt, na Suíça, testemunhou um recuo significativo nos últimos anos. Esse fenômeno é especialmente sensível ao aquecimento global, e os resultados são visíveis: quase todos os verões, o gelo derretido revela algo ou alguém perdido por décadas.

A descoberta do alpinista alemão é apenas um exemplo das revelações surpreendentes que essas geleiras têm proporcionado. No ano passado, destroços de um avião que caiu em 1968 foram encontrados emergindo da geleira Aletsch. Outros casos, como o corpo do alpinista britânico Jonathan Conville, desaparecido desde 1979, também foram descobertos após décadas de busca.

As geleiras alpinas são mais do que meras maravilhas naturais. Elas têm um papel fundamental no meio ambiente europeu, armazenando a neve do inverno que posteriormente alimenta rios importantes como o Reno e o Danúbio. A água desses rios é essencial para a agricultura e até mesmo para resfriar usinas nucleares. No entanto, as mudanças climáticas e o derretimento das geleiras estão afetando diretamente a disponibilidade de água nessas bacias hidrográficas. O nível do Rio Reno já chegou a cair a ponto de barcaças de carga que transportam suprimentos da Holanda para a Suíça ficarem impossibilitadas de navegar.

O recuo alarmante das geleiras é uma preocupação crescente entre especialistas suíços em geleiras. No último ano, foi constatado que elas haviam perdido metade de seu volume desde 1931, um encolhimento mais rápido do que o previsto anteriormente. As previsões indicam que, se esse ritmo continuar, quase todas as geleiras alpinas desaparecerão até o final deste século.

O ano de 2023 tem se mostrado especialmente quente e seco na Suíça, com junho e julho registrando altas temperaturas. Em agosto e setembro, os especialistas em geleiras medirão novamente o gelo e temem encontrar resultados ainda mais preocupantes.

O derretimento acelerado das geleiras alpinas é um alerta para a necessidade urgente de medidas para combater as mudanças climáticas e proteger nossos ecossistemas. A preservação dessas geleiras é essencial para o futuro do meio ambiente e da humanidade.